Monthly Archives: January 2010

Incredibly (annoying) India!

Incredible India é o carro-chefe da publicidade governamental indiana para o turismo. Em toda a Asia é possivel ver o filme onde um jovem ocidental percorre o pais imerso em cores e paisagens fabulosas. A idéia de incredible casa com o que a maioria dos indianos – ligados de alguma maneira ao turismo – pensa a respeito do seu pais: “Everything is possible in India!”, significando que não importa onde, nem como, você quiser ir, você encontrara o que procura porque tudo é possivel neste pais.

Talvez, em uma longa estada, pode-se encontrar tudo o que se procura e “entrar no ritmo indiano”. Pelo menos, é essa a impressão que a maioria dos mochileiros, que cruzamos por la, da: que o pais é magico e suas gentes extremamente gentis. Pena, nossa estada não foi longa o bastante. A impressão deixada pelos indianos é longe daquela que nos foi pintada. Claro, exceções existem.

Vou ilustrar com o relato – rapido – dos nossos dois primeiros dias in India.

O vôo da Nepal Airlines foi forçado a fazer meia-volta, na metade do percurso, por causa de uma porta que estava “mal fechada”. Quatro horas mais tarde, embarcamos novamente no aeroporto de Kathmandu rumo a Delhi. Seis horas depois do previsto, chegamos ao aeroporto Indira Gandhi.

01.Retirei alguns rupies e me dirigi ao guichê dos taxis pré-pagos. OS GUIAS DE VIAGEM ALERTAM PARA O FATO DE SER IMPOSSIVEL DE PAGAR UM PRECO HONESTO DIRETAMENTE COM A TAXISTA. Duzentos rupies por uma corrida até o hub de hotéis baratos no centro de New Delhi. Sem prestar muita atenção passo uma nota de 500 (eu tinha acabado de retirar o dinheiro e não estava acostumado com as cores do Gandhi das notas) e espero o troco. O indiano na minha frente me mostra um bilhete de 100. Com bastante naturalidade me diz que eu me confundi. A fila atras de mim faz pressão e não querendo recontar meu dinheiro na frente de todo mundo, passo-lhe uma outra nota de 100. Sensação palpavel  do golpe. No taxi, conto meu dinheiro e voilà: 400 rupies (20 reais) no bolso do camarada.

02. Hotel Vivek, na Main Bazaar Road, New Delhi. No forum francês de mochileiros, todos falavam mil maravilhas desse hotel. Limpo, otimos serviços, staff de confiança e… barato. Reservamos por email. Chegando la, nao havia mais quartos a 800 rupies disponiveis. Segundo o gerente, nossa reserva era para uma suite deluxe de 1.100 rupies. Ok, ja são quase dez horas da noite. O quarto sem janelas era – segundo o rapaz responsavel – o unico do andar onde a agua quente não funcionava. But don’t forget: everything is possible in India. E um baldão de agua quente com uma concha nos foi trazido pelo indiano do corredor. O cara chega cansadaço, chegamos ao aeroporto de Kathmandu às sete da manhã e no hotel em Delhi às dez da noite, com um bigodão pra impor respeito e em menos de três horas no pais, se faz engrupir duas vezes! Incredible India.

03. Dia para turismo light e logo de cara, um chauffer de tuk-tuk. “Não, eu não preciso de um tuk-tuk para todo o dia, so quero ir até o museu.” “So para ida, não precisa esperar, não vamos voltar aqui.” “Pouco me importa se tu faz um special price! Eu so quero ir até a porra do museu!”. Ok. 400 rupies… barganha, barganha, faz que vai embora, volta, barganha, barganha, familia, krishna, sou pobre, preciso de trabalho, barganha e por 120 rupies o cara nos leva até o museu. Uma vez la, a ladainha recomeça. “Não, eu vou me enterrar nesse museu e nunca mais sair daqui, não vou mais precisar de transporte – muito menos de tuk-tuk – pelo resto da minha vida!” Ok. E ele lança: “Se pegarem um tuk-tuk pra voltar, não paguem mais do que 60 rupies, ok?” India 3 à 0.

04. Passeio em Connaugh Place. Uma praça no centro de New Delhi, domingão, bastante gente nos bazares que circulam o lugar. E um indiano se aproxima na hora da revista de bolsas para entrar no parque. “Pode entrar coma tua maquina, so não pode tirar fotos”, diz ele, quando a policial nos fazia sinal de que não poderiamos entrar com a câmera. Ele tava la pra fazer tempo antes da sua sessão de cinema. Trabalhava num banco não longe dali e esperava alguns amigos. Um cara simpatico que fazia piadas da vida na India. “Vocês se importam se eu esperar meu amigo aqui com vocês?” “Yeah sure” O anzol do TOUT acabava de fisgar um peixe de bigode.

CONTINUACÃO

Le train en Inde

Prendre le train, rester comprimés assis pendant cinq heures entre deux familles Indiennes avec des insectes qui montent sur nos jambes, ce n’est pas très sympathiques mais le pire est d’essayer d’acheter les tickets de ce train.
Nous avons fait plusieurs tentatives avant d’y arriver. Premier jour à Delhi :  “Allez au bureau pour touristes de la gare pour obtenir les billets” nous dit le réceptionniste de l’hôtel. Motivés, on se lance. La gare est au bout de la rue, malgré les commerçants qui nous crient aux oreilles “a scarf my friend? come in my shop!  where do you from?” ou les mendiants qui nous suivent, on fonce! La gare est devant nous, les conducteurs de rickshaws nous stoppent “where are you going?”, on se fera pas avoir, on ne répond plus. Le bureau pour touriste se trouve à droite nous dit-on, on y va,  on demande à un homme en uniforme (plus sûr) où se trouve t-il?

“Non”, nous dit-il “le bureau touristique est fermé, vous devez vous rendre au centre ville”, très gentil il nous sort une carte de Delhi et nous montre le chemin. Mais la nuit tombe, et découragés, on lui dit qu’on essaiera demain. “Pas de problème, je vais vous aider”, il nous montre une carte, preuve qu’il travaille bien pour la gare, et nous appelle un rickshaw. La course pour nous est normalement de 150 roupies mais grâce à lui, le prix baisse à dix roupies. Ca commence à devenir louche cette histoire… On s’embarque dans le rickshaw, là, sans savoir pourquoi, il y a un homme en plus devant et un autre à côté de nous. Il démarre dans la nuit, nous de plus en plus tendus, entourés d’indiens bizarres, on sent l’entourloupe, la panique nous envahit, dans le noir, ils peuvent nous emmenez n’importe où, et qui sont tous ces hommes…? STOPPPP!!!! On ira pas plus loin, on s’enfuit et on retourne soulagés à l’hôtel. Notre première tentative a échoué.
En fait, tous ces hommes sont complices, il existe une conspiration à Delhi pour empêcher les touristes d’acheter des tickets de train, leur but étant de nous faire acheter des excursions par des agences touristiques et d’obtenir ainsi leurs commissions. Ils prétendent nous aider, certains travaillent même pour la gare, et sont finalement que des rabatteurs. Alors, à qui faire confiance? A Delhi, personne.

Il nous aura fallu 2 jours pour trouver le bureau touristique de la gare, qui existe bel et bien, si l’on ne se fait pas détourner sur la route. Avec du courage et de l’obstination on peut réussir à trouver des places libres dans les trains et à acheter les tickets par nous-mêmes.

Il existe six classes, de la plus désuète, la seconde classe (sans réservation , tout le monde se jette dedans, avec les fenêtres ouvertes  ornées de barreaux comme une prison), à la première classe, 1AC (avec air conditionné, cabine de 4 personnes fermée par un rideau – genre 3ème classe transsibérien). Les trains sont plutôt vieux et mal entretenus et pas très opérationnels. Par exemple, le train express entre Jaipur et Delhi met 6h a effectué 250km, en ajoutant deux heures de retard. Les tickets de train sont numérotés, mais cela ne signifie pas grand chose en Inde : on arrive avec le ticket à la main, mais une famille est déjà installée avec leurs 50 valises. Incredible India. Après de dures négociations, Felipe s’installe presque sur les genoux d’une vieille dame à quatre sur un banc de trois. Ah! Les joies du train, le transport mythique du voyageur (comme le disait Felipe!). La promiscuité facilite quelques échanges et c’est vrai que les Indiens « normaux » sont cordiaux et polis. Autre aspect de leurs personnalités est qu’ils restent sereins et trouvent ma réaction surprenante lorsque j’exprime un visage effrayé devant une souris qui traverse le wagon, plus les nombreux petits cafards qui se baladaient. “Oh, a mouse” disent-ils avec un sourire.

Religion sucks!

Sou ocidental. Represento a herança da civilização greco-romana e fui educado na fé judeo-cristã. Como ocidental ordinario, na adolescência, as idéias radicais de esquerda serviram para me afastar de um olhar “encantado” do mundo. Mais tarde, quando uma visão mais sensata da nossa sociedade  me conquistou, os devaneios utopicos de outrora se tornaram tão descompassados que os releguei ao sotão das ideologias empoeiradas.

A juventude posmoderna segue a rota em direção ao reencantamento do mundo, porém esse trajeto leva, não a um retorno das praticas religiosas, mas das praticas rituais. Não abraçamos uma religião, mas varias. Colecionamos ritos, colecionamos experiências numa vida sem fins. Porém, continuamos ocidentais e é dificil para um ocidental – como eu – consacrar a existência aos humores divinos.

No Tibete é diferente. No Nepal e na India também. Budistas e hinduistas incorporam um fatalismo a todo custo, onde a renuncia da vida de todos os dias é tão gritante que para o meu espirito ocidental – ex-comuno-materialista – soa ingênua.

Ao contrario dos hippies-wannabies, não consigo me encantar com as cores e os cânticos dos ritos hindus, aqui em Pushkar, por exemplo, e esquecer a miséria decorrente dessas mesmas praticas. Nessa viagem, não consigo quebrar a invariavel relação entre pobreza e religião.

Não se pode renunciar ao lado “encantado” da vida, ele é importante para compreender  e – reconhecer – o humano. Mas não se pode, muito menos, renunciar à vida (ponto).

Uma vaca sagrada, na India, defeca onde quiser. As crianças seminuas, brincam em contato com esses excrementos. Em nome da religião, permite-se praticas completamente contrarias às normas sanitarias. Em nome de um destino espiritual, permite-se que as crianças adoeçam mesmo sem compreender o que é um brahman e o que significam todos os ritos e cânticos.

Talvez seja um raciocinio simplista e até mesmo preconceituoso. Mas fazer a relação é inevitavel.  A India ocupa a 143a posição, entre 195 paises, no indice de mortalidade infantil da ONU (78 crianças, a cada mil, morrem antes de completar cinco anos). A religião não é a causa principal, mas o fatalismo e a resignação que ela induz. Sem falar de costumes barbaros como o sati ou da condição da mulher.

E os jovens ocidentais, extasiados pelas maravilhas de uma vida menos asseptizada e materialista, embarcam em mais uma busca de iluminação, ignorando as regras medievais que regem essas mesmas sociedades ditas espirtualmente evoluidas.

Saveurs indiennes

Aussi succulente soit-elle, il est très difficile de s’habituer à la cuisine indienne, qui mélange le chili vert à toutes les sauces.  L’important dans les saveurs indiennes, c’est de maîtriser les épices. Les sauces sont d’abord préparées à part et les ingrédients, comme le tofu, le poulet, ou le mouton sont rajoutés à la fin. Pour réussir un plat indien, la boite aux épices, “spice box”, est indispensable. Cette boite contient 7 épices : le curcuma, la poudre de chili, le cumin, la moutarde noire en grain, le sénégrain, l’anis et le sel.
Les Indiens sont pour la plupart végétariens, par religion et par hygiène de vie. Pas de porc, car il y a beaucoup de musulmans, ni de bœuf, car la vache est sacrée pour les hindous, le mouton est très rare, il reste que le poulet que l’on trouve quelquefois dans les menus. Comme spécialités, le dal (plat de lentille), le panner pacota (fromage frais). Dans le village hindouiste sacré de Pushkar, la population suit un régime très strict , ils ne se nourrissent ni de viande, ni d’œufs.

Recette SAMOUSA Indien

Ingrédient pour la farce :
- 5, 6 pommes de terre cuites à l’eau
-  2 oignons émincés
- 2 chilis verts frais
- un cuillère de gingembre râpé
- une cuillère d’anis en poudre
- une demie-cuillère de moutarde noire en grain
- une demie-cuillère de menthe en poudre ou des feuilles de menthes fraiches.
- une demie-cuillère de garam massala ( curry powder)
- coriandre fraiche
- 2 cuillères de jus de citron

Préparation de la farce :
Dans une poêle, faire frire les oignons émincés jusqu’à ce qu’ils roussissent, y ajouter l’anis, la moutarde en grain, mélanger 5 minutes. Ajoutez les pommes de terre cuite à l’eau, épluchées et coupées grossièrement, le sel, le massala, le chili coupé en morceau et mélanger 5 minutes. Enfin, ajouter la coriandre fraiche, la menthe, le jus de citron. Ecrasez les pommes de terres, cuire pendant 10 minutes.

Ingrédient pour la pâte :
-1 verre et demi de farine
- 3, 4 cuillères à soupe d’huile
- 3, 4 verre d’eau
- sel

Préparation de la pâte:
Mettre la farine dans un récipient, ajouter de l’huile, l’eau et pétrissez la pâte jusqu’à ce qu’elle se maintienne dans votre main. pas besoin de laisser reposer.

Étalez la pâte en petit disque, la couper en 2 et former un cône avec chaque partie. Remplissez le cône avec la farce de pommes de terre et frire le samousa dans l’huile ou le cuire au four. C’est prêt!

A roof-top world: report on Nepal

Our stay in Nepal was compromised even before we have arrived there: to pay for our trip to Tibet we had to give up the trekking we would do. What to do then? Hang around Kathmandu, apply for the indian visa, do nothing for a while, think about the trip so far and maybe review the planning for the coming countries. More thant that, there’s plenty of things to do around the city and it would be our first glimpse of a society hinduist. It sounded good to me.

We found ourselves into the roof-top world of the Thamel quarter – the tourist guetto in the nepali capital. Everywhere we can find them: the roof-top restaurants, bars and cafés. It’s a re-segregation between the tourist and the mixture of ingredients called the local. First was this neighbourhood, a hub of tourist facilities and everything needed to make the traveller feel like he hasn’t arrived yet. Then, once it got too jammed with tiger balsam-dope-rickshaw vendors, the tourists were moved upstairs. Getting rid of the local again. I wonder when the passarelles between roof-tops will be built.

I always supported the idea of mixing authenticity and confort. Too much of the first, creates the cultural shock, the second comes to balance it out, in excess, confort inflates the bubble of isolation. Thamel tries to cut the tourist off the city and becomes extremely boring. Add to that, a seven-day wait for the indian visa, a food poisoning that obliged us to change the bus to Delhi for a plane, and you have an expensive and too long ten days sojourn.

An afternoon in Pashupatinah and Bodhnath weren’t up to erase the bad impression this city has left on our minds. Definitely, we should have  compromised even more our budget and go trekking instead of staying in a room at Buddha Hotel (20 US$) waiting for Incredible India.


Katmandou, mais où sont les hippies?

Le quartier de Thamel, à Katmandou, est un paradis touristique. Tout est prévu en faveur des voyageurs : nous sommes choyés, nos envies assouvies. D’étroites ruelles bordées de nombreuses échoppes de souvenirs en tout genre nous font passer un long moment à choisir, hésiter, discuter, marchander et à se décider enfin à acheter une chose inutile. Parmi les magasins, nous trouvons des produits de trekking de contrefaçon comme des sacs The North Face, des chaussures de randonnées, des accessoires diverses.

Dans les années 70, les fameux hippies venaient nombreux dans cette ville chercher la vérité, comprendre le sens de la vie, dans une époque éblouissante de révolution et de libéralisation. Grâce à ce statut de destination de pèlerinage, Katmandou a crée – et essaie de retenir toujours – une ambiance mystique, voire sacrée.

Aujourd’hui, nous croisons plutôt des retraités nostalgiques et des randonneurs qui se reposent sur la ville quelques jours avant d’escalader les montagnes environnantes. Toutefois, des jeunes, admiratifs d’une période qu’il n’ont pas connu,  essaient de prendre la relève. Ils sont venus spécialement à Katmandou pour créer une communauté, pour sentir “the good vibes”. Ces baba cools arborent cheveux longs obligatoire, emmêlés si possible, tenue très large et colorée et chaussures en laine de yak. Eux, ils revendiquent la nature, la lumière et la méditation avec beaucoup de “stimulation” si possible

Voila ce qu’il reste de la période hippie : quelques baba cools perdus qui se promènent dans un quartier très touristique, où tous les produits de consommation abondent, en partageant l’espace avec des randonneurs qui boivent des cappuccinos à la terrasse de cafés et des Népalais qui vendent du shit à tous les coins de rues.

Free Tibet

Nas ruas do bairro de Thamel, em Katmandu, no Nepal, as camisetas com a inscrição FREE TIBET povoam os bazares dedicados aos turistas. Recém chegado de la – do Tibete -, correr para comprar uma ou começar uma associação em prol da “causa” tibetana não foram meus primeiros impulsos, pelo contrario. Pensar a situação politica do Tibete sem cair no trendy de dizer que os chineses oprimem o povo tibetano que merece ser livre – e tirar uma foto ao lado do Dalai Lama -, ou no saudosismo de comunistão se posicionando em defesa da liberação maoista é complicado. Se no final não adiro ao primeiro time, é pelo mesmo motivo que não compro uma camiseta  dizendo Grêmio Campeão Mundial Interclubes 2011: infelizmente, não vai acontecer. Nem mesmo o Dalai-Lama acredita na possibilidade de  independência do seu ex-reino. Em suas demandas ao governo chinês, o lider budista deixa claro que sua ambição não é a independência de fato, mas uma maior autonomia e o respeito e preservação da lingua e da religião.

Historicamente, o Tibete não é independente desde a metade do século XVIII. Ok, durante a Republica da China (1912-1949), o pais era quase independente: o governo chinês mantinha representantes em Lhassa ao mesmo tempo. Resumão, desde do século XIII o Tibete so foi independente – em diferentes graus e com diferentes fronteiras – durante a dinastia Ming.

Agora, a questão é outra: podemos apoiar a constituição de uma teocracia? Porque é bem isso que o Tibete foi e que gostaria de se tornar novamente. Um governo controlado pela reencarnação de uma santidade onde toda a sociedade é focada na salvação de suas almas presas no ciclo de existências. Uma sociedade preocupada tanto com o que vai se passar depois que esquece o que se passa agora. O Tibete autêntico (run tourists run) é um agrupamento de pequenos vilarejos saidos da idade média, onde um monastério ocupa o centro do poder. Uma sociedade feudal.

Eh dificil de defender a independência desse tipo de organização politica e social. A comparação pode ser descabida mas o retorno tribal pregado pelos pashtuns no Afeganistão não difere em natureza desse retorno a uma sociedade religiosa e fechada. Isso mesmo, é moeda corrente falar da dificuldade de ir ao Tibete por causa do policiamento chinês. Ora, em 1850, o Dalai Lama da época proibiu a entrada de todo estrangeiro no pais e essa politica foi – mais ou menos – implementada até a invasão chinesa de 1950.

Não adiro tão pouco ao lado chinês. Em 1950, o Tibete trocou o controle pela religião budista pela religião maoista. Toda as bobagens de “liberação do povo” não são que uma transposição da distante salvação budista do pos-vida para o agora-mesmo. E “salvar” alguém implica todas as ascepções totalizantes que estamos acostumados a ver quando os “grandes homens” decidem o que é o bem de todos.

O que eu defendo? O que sobra na balança: livre-arbitrio, auto-gerência, etc, etc, etc. Se os tibetanos não são felizes sob o jugo chinês, então eles deveriam poder se autodeterminar. Porém se autodeterminar não pode  se transformar em ser determinado por uma santidade toda-poderosa. O lamaismo (budismo tibetano), como todas as religiões hierarquizadas e centradas em um chefe, deveria focar seu business nas questões espirituais e privadas de cada um. A mistura de religião com Estado e politica é perigosa e no Tibete não é diferente, basta ver as condições de vida. Em grosso modo, nem o lamaismo, nem o maoismo! Um Tibete livre como uma nação moderna onde a religião e a cultura se preservam como bens inerentes da população mas não como condição indispensavel de vida.

Ok. Vou comprar a camiseta do Grêmio Campeão Mundial 2011. Eh mais provavel de acontecer.

Bienvenue à Old Tingri

Durant notre parcours à travers le Tibet, Lhassa, Gyantsé et Shigatse ont été des passages inoubliables. La capitale, avec ses monastères, ses temples et palais; Gyantsé avec sa stoupa unique et; Shigatse, avec ses pèlerins, nous ont offert des photos magnifiques et des journées exceptionnelles.
Notre tour organisé par une agence de voyage comprenait beaucoup de route, notre trajet part de Lhassa jusqu’à la frontière du Népal. Après une journée en voiture à travers des paysages incroyables de montagnes, notre 4×4 s’arrête à New Tingri.
Le guide nous annonce : “Nous sommes à New Tingri, il n’y a rien à voir ici, il vaudrait mieux aller jusqu’à Old Tingri, ville très traditionnelle à 30km. Seulement, si vous voulez continuer, il faut payer les chauffeurs un peu plus.” Aucune surprise, tellement habitués à ce genre de méthode, nous négocions le prix pour quelques kilomètres supplémentaires et décidons d’y aller.

Nous arrivons dans la ville de Old Tingri, ou plutôt une route d’un kilomètre où passent des camions bordée d’habitations vétustes. Derrière ces habitats précaires, rien : de vastes plaines entourées de montagnes.
Nous sommes invités à entrer dans la guesthouse prévue pour nous. Une famille nous reçoit et nous montre notre chambre. Il fait de plus en plus froid ici, nous sommes à environ 4000 mètres d’altitude, et le vent glacial fouette mon visage. Voici notre chambre : derrière une lourde porte fermée à l’aide d’un cadenas, une pièce de trois mètres carrés tapissée d’un drap de fortune. Pour l’éclairage, une ampoule pend au bout d’un fil électrique, et deux petits lits ridicules envahissent tout l’espace. Mon inquiétude n’est pas le confort de la literie mais surtout le chauffage. Je ne le trouve pas, pas de chauffage dans la chambre, juste dans le salon (200 mètres plus loin), m’explique-t-on.

Ok, bon, je n’ose même pas demander si il y a une douche. En effet, pas de douche, juste un coin toilette (50 mètres plus loin), c’est à dire des trous dans une planche en bois. Je crois que cette chambre gagne le prix de l’hébergement le plus insolite, on va dire le plus typique depuis le début de notre Tour du Monde.

Pour oublier notre mésaventure, nous décidons de faire un tour en ville. La nuit commence à tomber sur Old Tingri, nous marchons cinq minutes lorsque nous voyons des bandes de chiens en liberté, ils sont environ 50 à roder sur la route. Ils grognent, aboient, se battent sous nos yeux effrayés. Nous évitons les chiens, un peu plus loin, des enfants crottés s’amusent avec des cailloux, j’ai l’impression d’être dans une atmosphère de film, ce village parait presque irréel. Dix minutes plus tard après avoir vu le lieu le plus animé de la rue, qui s’avère être le garage où des adolescents travaillent, nous faisons demi-tour et tombons nez à nez avec la boucherie. Des bêtes pendues jusqu’au sol derrière une bâche, dehors. On se demande longuement quel animal ça peut bien être. Finalement, nous rentrons à la guesthouse, un frisson dans le dos, car c’est l’heure du souper.

On passera notre soirée le plus longtemps possible dans le salon autour du poêle, avec notre assiette de riz végétarien, à discuter avec le serveur et nos amis slovaques de leurs collections de billet de banque. Évidemment, la maigre ampoule de notre chambre ne fonctionnait plus lorsqu’on en a eu besoin le soir, on s’est couchés à la hâte tout habillés. On dormira à deux dans le même petit lit, avec le froid et le fou rire, emmitouflés dans nos duvets.

C’est ça de faire le Tour du Monde, on se retrouve dans des situations que l’on aurait pas pu inventer, à l’autre bout de la planète, qui, sur le coup fâche mais reste quand même de forts souvenirs.