
Jean-Didier Urbain acredita que o trem é, para o viajante, o transporte por excelência. Ele permite um avançar lento, onde se tem a sensação de acumular espaços e de realizar um contato menos êfemero com as pessoas que dividem os mesmos trilhos. A travessia transiberiana é uma rota de trem unica, onde a qualidade dos espaços acumulados ao longo de milhares de quilômetros é incomparavel e o unico problema para o viajante é cair no deslumbramento desmesurado.
E dificil resistir ao encanto dessas terras. Depois do lago Baikal e da ilha de Olkhon, as estepes mongols representam o segundo ponto da triade magica que falei em outro post. Mas a Mongolia começa antes.
Ulan Bator, a capital, é o ponto de partida para visitar o pais. Feia, cinza, sem atrativos, ela pode levar o turista férreo a decidir seguir viagem sem parar nesse pedaço de chão entre a Russia e a China. Os traços soviéticos somados ao grande afluxo de migrantes – metade da população mongol vive na capital – transformam a cidade em um grande suburbio mal-cuidado. Deixando as poucas atrações serem engolidas pelo concreto desordenado de novas habitações.

Uma vez no campo, as mas impressões se apagam para sempre. Um reino de espaços onde é impossivel de não se questionar como um lugar assim consegue continuar intocado, consegue continuar com suas amarras ao passado tão firmes. Aqui, como na Sibéria, o chamanismo é importante e o budismo praticado em cada ger – as tendas nômades espalhadas por todo o pais.
Passamos cinco dias no interior da Mongolia. Deserto, camelos, estepes, cavalos, gers, nomades, cha de manteiga salgado, cabras, costumes ancestrais fortes como o orgulho do Khan.

A ultima parada em nosso trajeto, antes do destino final, serviu para mostrar que a grande procura do turista contemporâneo pelo oasis de beleza intocada pode ser frutifera à bordo do Transiberiano.

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